No ninho das Cobras

Por Cristyam Otaviano - março 05, 2017


Das partes épicas do clássico juvenil Meninas Malvadas (2004) com certeza uma das mais memoráveis é a entrada da protagonista que serve de modelo/ referência para ser mais do que uma “garotinha egoísta, traiçoeira e descarada”. Na verdade, ela é muito, muito mais do que isso.

Gente com o “nome na praça” tem alguma coisa de especial, divide opiniões, convoca times, uns falam super bem, outros em toda oportunidade possível “descem o cacete”. Não é difícil ver alguém no grupinho que chame mais atenção, ou pelo menos algum grupo que seja o mais mal falado do convívio social, é o preço que se paga por aparecer, por estar no centro, por...entrar no ninho.

Você pode chamar a vida social como quiser, amigos, galera, os colegas, os conhecidos. Mas quando se entra no ninho das cobras o buraco é mais embaixo.

Pode notar, é toda uma galera de nariz em pé. Que finge uma falsa modéstia, uma amizade de aparência, um beijinho do lado e do outro, uma singela preocupação de saber, “ Como que você está”. Desse povo que volta e meia vem pedir um favorzinho, e que fazem jus ao ditado “ Na boca de quem não presta, quem é bom não vale nada”.

São dessas regrinhas de conhecimento que se fazem necessárias para ter acesso ( e sobreviver ) à alguns grupos. Todo mundo conhece uma Regina George. Um garoto legal com todo mundo, uma moça gentil e educada, alguém sempre simpático, com um sorriso meio falso.

O mundo animal é a metáfora perfeita para o cenário de Meninas Malvadas, em algum momento todos são meio que animalizados, mostrando  os seres adestrados que se tratam bem no convívio social, no fundo tem uma vontade alucinante de usar da “lei do mais forte”. . Na vida real os fortes sempre vencem, no mundo da Regina George também.Quem tem mais posse, quem tem mais status, quem tem mais dinheiro, quem tem mais papo, quem é mais bonito No mundo das cobras é uma comendo a outra, no mundo animal um dia é da caça e outro do caçador. Cuidado, quem é rainha nunca perde a majestade, assim como nos versos do Coldplay que canta em Viva La vida, é bonito de se ouvir, mas não é nada poético: Agora o velho rei está morto! Vida longa ao rei!

Quem te ovaciona hoje, amanhã quer sua cabeça numa bandeja! 


Escrito por: Isaac Morais

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